quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal

A todos os leitores destas notícias, usuais ou ocasionais, os meus votos de Santo Natal.
Jesus é que é o Senhor, o Alfa e o Ómega.
Maranatá!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

3 de Abril de 1945 – Terça-feira de Páscoa

Não vivi, não ressuscitei com Jesus.
Os meus olhos não viram, os meus ouvidos não ouviram, o meu coração não amou, o meu corpo nada mais sentiu a não ser a dor.
O olhar dos meus olhos não era meu, nem o ouvir dos meus ouvidos, nem o sentir do meu corpo, nem o amor do meu coração, nem o sorriso que tudo isto encobria, nem esse era meu.
A quem pertencia? Jesus o sabe, nada sei dizer. As alegrias são para quem Jesus quer, menos para mim.
Mas eu estou contente; eu não vivo, que viva Ele com a Sua vida divina nas almas.
Eu não ressuscitei, que elas ressuscitem para Jesus.
Não tenho amor, não tenho que oferecer ao meu Senhor, que Ele aceite o amor de todos os corações e a oferta total de todas as Suas criaturas.
Não tenho língua para louvá-Lo, que Ele aceite todo o louvor da terra e do céu.

Toda a terra e céu O louvam e bendizem; só eu, pobrezinha, fui excluída, estou de parte. Não posso juntar-me aos bem-aventurados do Céu, aos justos da terra. Toda a maldade e miséria do mundo são minhas.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Genealogia da Beata Alexandrina

Um descendente de pai balasarense a residir no Recife, Brasil, enviou-nos esta genealogia da Beata Alexandrina baseada nas sucessivas gerações dos antepassados dela de Gresufes.
A mãe da Alexandrina, Maria Ana da Costa, nasceu em 1877.
O avô de Alexandrina, José António da Costa, nasceu em 1836.
O bisavô de Alexandrina, Manuel António da Costa, nasceu em 1807.
O pai deste, que foi terceiro avô da Alexandrina, foi outro José António da Costa; esse nasceu aproximadamente em 1780 e veio a falecer em 1865; era filho de Francisco Gomes Ferreira e Luísa da Costa de Araújo. 
Aspecto exterior antigo da casa de Gresufes onde nasceu a Beata Alexandrina.

Se isto não adianta muito para o conhecimento da Alexandrina, já adiante bastante para satisfazer a natural curiosidade de quem pretende conhecer melhor a gente de quem ela descendeu.
Assim, aquele José António da Costa nascido cerca de 1780 e falecido em 1865 ocorre numa lista de eleitores de 1837, do ano em que Balasar passou para o concelho da Póvoa, e presta declarações em duas inquirições de genere sendo uma delas a de um jovem seu vizinho da Casa da Torre que se candidatava ao sacerdócio. Quem abrir este endereço - https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-1942-44152-6346-1?cc=2125025&wc=SSVN-MJ4:363117801,363339401,1077034027,1303913869 - encontra uma e até a assinatura desse antepassado da Beata (deve recuar à página anterior do documento para ir para o princípio das declarações: clica-se na seta à esquerda perto do cimo).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Familiares da Maria Ana

Quando a Beata Alexandrina nasceu, a Casa dos Vicentes em Gresufes devia abundar de gente.
O avô José António da Costa tinha morrido, mas o tio Joaquim já estava casado e até podia ter algum filho, pois tinha 23 anos.

Eram estes os filhos de José António da Costa:
A Maria Ana, a mãe da Alexandrina, que nascera em 22 mês de Janeiro de 1877.
O Tio Joaquim, que nasceu a nove de Outubro de 1881. Ficou com a casa paterna à morte do pai e já era dono dela quando a Beata nasceu.
O Miguel, que nasceu em nove de Novembro de 1883, deve ter emigrado para o Brasil.
A Adelaide, que nasceu em 15 de Abril de 1886 e que casou para Arcos, faleceu em Dezembro de 1955.
A Ana, que nasceu a 21 de Fevereiro de 1889.
O Francisco, que nasceu no dia 24 de Maio de 1891 e casou em 1910 com Albina dos Santos Maia, de Balasar; deve ter falecido em 1964.
A Felisbina, que nasceu em dois de Abril de 1894, casou para Chorente com António José de Sousa, de 43 anos; deve ter falecido em 1966.
Mas havia mais duas raparigas, a Deolinda, que casou para Santa Vaia de Rio Covo, e a Felismina, que casou para Grimancelos. Para o Brasil ainda terá ido outro irmão.

Como ainda estava viva a avó, deviam viver lá dez adultos, mais a pequena Deolinda e a recém-nascida Alexandrina.

Um link para o Dr. Henrique Gomes de Araújo

Há uma página sobre a Beata Alexandrina que é só uma "treta". Porque o que está em causa em relação a ela é mesmo uma atitude de objectividade, de uma objectividade muito alargada, que não não cede ao preconceito.
Mas encontra-se lá um link para um texto sobre o Dr. Henrique de Gomes Araújo que vale a pena ler. Vem no fim da página, antes dos comentários.

Testamento de Manuel António da Costa, o bisavô materno da Beata Alexandrina

Este é o testamento de Manuel António da Costa, o bisavô materno da Beata Alexandrina. Não é muito o que se sabe dele, mas nascera em 1803 e foi um dos homens mais abastados da freguesia. Deve ter falecido em 1887. O seu filho e herdeiro chamou-se José António da Costa e foi pai, entre outros filhos, de Maria Ana da Costa, a mãe da Alexandrina, e de Joaquim António da Costao tio Joaquim.

Testamento de Manuel António da Costa

Testamento que faz Manuel António da Costa, casado, de Balasar, em oito de Junho de mil oitocentos e oitenta e seis.

Em nome de Deus, amém.
Saibam quantos este público instrumento de testamento de última e derradeira vontade virem que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e seis, aos oito de Junho, nesta Vila de Rates e meu cartório, foi presente o outorgante testador Manuel António da Costa, casado, lavrador, da freguesia de Balasar, meu conhecido e das cinco testemunhas ao diante nomeadas e no fim assinadas, sendo estas cidadãos portugueses e idóneos, estando ele testador no perfeito gozo das suas faculdades intelectuais, em liberdade e sem constrangimento nem coacção de pessoa alguma, e como eu tabelião com as testemunhas de tudo nos certificámos, do que dou minha fé, perante as quais e na minha presença por ele outorgante foi dito que tinha deliberado o fazer o seu testamento de última e derradeira vontade e por isso pedia a mim tabelião que lho escrevesse nesta minha nota conforme o ditasse, ao que eu tabelião me prontifiquei.
Primeiramente declara que é católico apostólico romano e que nesta fé protesta viver e morrer.
Logo que falecer, quer que seu filho José António da Costa, hoje casado, lhe cumpra o seu enterro, funeral e bem de alma conforme lhe impôs na escritura de doação de onze de Janeiro do ano de mil oitocentos e oitenta e seis, lavrada na nota do tabelião Silva, da Póvoa de Varzim.
E relativamente ao temporal, declara que é casado à face da Igreja com Joaquina Maria da Silva, de cujo matrimónio tem os seguintes filhos: José, Ana, Teresa, Josefa e Maria, todos casados, aos quais institui como seus únicos e universais herdeiros, como já declarou na citada doação.
Disse mais ele testador que na já citada doação, que conjuntamente (com a) sua dita mulher fizeram ao dito seu filho José António da Costa, reservam o terço de todos os seus móveis, semoventes e dinheiros de ouro e prata para disso dispor por testamento, como na mesma doação consta, e por isso desde já nomeia e deixa o terço da sua menção nos referidos móveis e semoventes e dinheiro de ouro e prata que ao falecimento dele testador for encontrado às ditas suas filhas Ana, Teresa, Josefa e Maria, mas debaixo das condições seguintes: que no sétimo dia depois do falecimento dele testador mandarão rezar duas missas aplicadas pelas almas em geral do fogo do Purgatório e nesse mesmo dia darão aos pobres da sua freguesia e mais necessitados e que ouçam as duas missas pelas almas, como dito fica, a quantia de cinco mil réis.
E nomeia como encarregado deste serviço ao seu genro António José Domingues de Azevedo, de sua freguesia.
E por esta forma tem feito o seu testamento de última e derradeira vontade, que quer se cumpra e se guarde como no mesmo se contém e declara, revogando qualquer outra disposição que a este fim ou testamento haja feito.
Assim o disse na presença das testemunhas, o Rev. José de Marques Lima, João Baptista Rodrigues Leite, lavrador, Clemente Gomes da Costa, carpinteiro, ambos casados, Manuel de Azevedo, sapateiro, e Manuel Pereira da Silva, carpinteiro, ambos solteiros sui juris, todos desta vila, que vão assinar com o testador, depois de ser lido em presença de todos, em voz alta e inteligível, tudo em acto contínuo e sem interrupção, do que outrossim dou fé, sendo colado devidamente por mim, inutilizado no fim deste um selo de estampilha no valor de quinhentos réis.
E eu, António José da Silva, tabelião, que o escrevi e assino em público e raso.

Manuel António da Costa, Padre José de Marques Lima, João Baptista Rodrigues Leite, Clemente Gomes da Costa, Manuel de Azevedo e Manuel da Silva Pereira.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Tu és o sol num novo amanhecer!

Neste dia da Imaculada Conceição, tão querido da Beata Alexandrina, colocamos aqui a quadra com que abriu a Eucaristia em que hoje participámos:


Tu és o Sol num novo amanhecer!
Tu és farol, a vida a renascer!
Maria! Maria! És poema de amor!
És minha Mãe e Mãe do meu Senhor!

Veja aqui o resto deste belo poema, que também pode ouvir.



sábado, 6 de dezembro de 2014

Balasar Antiga

Num encontro largamente concorrido, foi ontem feito o lançamento do livro Balasar Antiga, o primeiro volume da nossa monografia de Balasar que, assim o esperamos, quando estiver acabada, ajudará a perceber melhor vários aspectos da biografia da Beata Alexandrina.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eleitores de Gresufes em 1886 e 1889

Ao estudar os cadernos de eleitores balasarenses para a Junta de Paróquia dos anos de 1886 e 1889, de quando Maria Ana, a mãe da Alexandrina, tinha cerca de dez anos, recolhemos as informações que colocámos nas duas tabelas abaixo.
Na primeira ocorrem o seu pai e o seu avô, na segunda só o seu pai: assinalámos os nomes a itálico. Do avô, vê-se que era homem bastante abastado, do pai nem tanto, mas certamente, em 1889, ainda esperava herdar parte dos haveres paternos. Eram os dois analfabetos.

Do nome que inicia a primeira tabela, António da Costa Reis (repare-se no seu rendimento), sabe-se que era da Casa da Torre, vizinha da dos Vicentes. Foi dessa casa o Pe. José António da Costa Reis, falecido em 1891 e de lá também haveria de ser o Carlos da Costa Reis, de triste memória.
António da Costa Reis era padrinho e possivelmente tio por afinidade do pai da Alexandrina.
Ocorrem dois Farias, o Manuel e o José, que devem ser pai e filho e antepassados dos dois homens do mesmo apelido que participaram no assalto à casa da Alexandrina no Sábado Santo de 1918.
Manuel da Costa Boucinha é o célebre político balasarense.
Na segunda tabela não ocorre pai da Maria Ana, o que, só por si, não indica que tivesse falecido.
Manuel António Machado era outro vizinho da Casa dos Vicentes e foi também pai dum sacerdote, Joaquim da Costa Machado.
O Joaquim Boucinha que abre a lista era irmão do Manuel da Costa Boucinha.

A habilitação literária primária corresponderia a alguma capacidade de leitura e a assinar o nome; não significaria que tivesse havido frequência de escola.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ainda a Beata Alexandrina na Revista "Theologica"

Como prometemos, vamos tecer um breve comentário ao estudo de Alexandre Freire Duarte saído na Theologica.
A espiritualidade vitimal está no centro da reflexão sobre o sentido da vida e da obra da Beata de Balasar: ela viveu no lugar do Calvário, mas viveu também o mais do tempo na Cruz ou próxima dela. Como era de esperar, por se tratar de um estudo de excelente nível, Alexandrina sai-se muito bem da reflexão feita.
É um trabalho de teólogo para teólogo, muito académico, com citações em várias línguas vivas e ainda em latim.
O modo como o autor aborda o sensível tema da ira de Deus deixa-nos algumas dúvidas.
São citados vários livros da Alexandrina, mas não os dos seus mais categorizados biógrafos e intérpretes, o Pe. Pinho e o Pe. Humberto, ou os Signoriles.

Ao que nos informam, Alexandre Freire Duarte tem a seu cargo o estudo da obra da Beata Alexandrina com vista à publicação.

domingo, 30 de novembro de 2014

Memórias de paganismo na antiga Balasar (1)

Quando se lê o De Correctione Rusticorum de S. Martinho de Dume, escrito em Braga no séc. VI, verifica-se que então ainda subsistia muito, mas mesmo muito paganismo entre os habitantes das zonas rurais. E a situação só deve ter melhorado muito lentamente visto a deficiente organização paroquial e os posteriores períodos de guerra e de prolongada instabilidade política e administrativa tornarem difícil ou até impossível fazer chegar até essas pessoas a mensagem cristã.
A certa altura S. Martinho fala de ofertas de sacrifícios a divindades pagãs no cimo dos montes. Parece-nos que isso tem a ver com os outeiros.
A palavra outeiro há-de ser de origem latina pois deriva de altar. Pelos vistos, neste sentido, os outeiros terão sido criação celta e sobreviveram ao domínio romano – os romanos é que lhes deram este nome – chegando ao séc. VI e porventura até mais tarde. O outeiro era uma colina em cujo cimo se erguera um altar, uma pedra certamente um pouco preparada, sobre que se ofereciam sacrifícios.
É comum em freguesias rurais haver pelo menos um lugar do Outeiro, às vezes dois ou porventura mais. Em Balasar terá havido lá para uns sete. Não terão sido todos outeiros no sentido original da palavra: ter-se-á mais tarde atribuído o nome a colinas onde nunca houve altar.
Encontramos referências documentais aos seguintes:
A norte do rio, o Outeiro de Revelhe (próximo do nicho da Senhora dos Caminhos, para nascente e sul) e o Outeiro da Mamoa de Este (no limite de Balasar com Macieira e Rates, junto a Modeste).
Do outro lado do rio, houve o lugar habitado do Outeiro (depois de Vila Pouca e Vila Nova), o Outeiro do Painho (já próximo de Fradelos e Vilarinho), o Outeiro da Carqueja (próximo da Gandra), o Outeiro do Cume e o Outeiro Redondo (que não sabemos localizar).

Há duas palavras com a forma outeiro e que são fruto dum fenómeno de convergência. A mais importante é aquela de que se falou, a outra tem a sua origem no numeral oito e designava certos eventos ligados ao calendário litúrgico. Para ambas houve a forma outeiro e oiteiro.

domingo, 23 de novembro de 2014

Um colóquio da Alexandrina com Jesus e Nossa Senhora

30 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA SANTA (dia do aniversário da Alexandrina)

Envolta na mesma nuvem que ontem sobre mim desceu, principiei o dia de hoje, dia que só era noite e vida que só era morte. Faltavam-me as saudades por não receber o meu Jesus. Sofri mais nos dias passados com a lembrança de hoje não O receber do que hoje por não comungar. Sofria por sentir pouca pena.
Indiferente a tudo, a minha alma sentiu, e o meu corpo também, que me levaram presa, e alguns por escárnio a ouvirem a opinião duma multidão de grande ralé e vil canalha que me condenavam à morte. Os meus ouvidos ouviam, a uma voz só, a palavra de “morra, condene-se”. Oh, que gritos os da multidão!
Tomei a cruz, caí repetidas vezes; ia a cada passo a expirar. Caía e sobre mim ficava a cruz.
Não por dó, mas por receio, queriam alguém que a levasse. Houve quem caminhasse com ela, não por amor, mas por ser mandado; mas mesmo assim quanto amor senti o meu coração dispensar-lhe! Que grande paga!
O meu corpo ia entregue aos malfeitores, o meu espírito ia só em Deus.
No calvário, o sangue corria por todas as feridas do meu corpo.
Que horas tão agonizantes!
Sentia na minha alma todos os suspiros que dava Jesus; todos os olhares que Ele levantava ao céu na minha alma foram gravados. 
Momentos antes de Jesus expirar, só de longe a longe dava um suspiro. E nesse intervalo de tempo estava como se não tivesse vida. E a minha alma a sentir tudo isto.
Oh, como era lindo! Que lições tão belas nos dá Jesus! Tão maltratado e tão cheio de ternura e amor!
Ainda o Seu santíssimo Corpo a sofrer na terra e a Sua Alma santíssima a voar ao Céu; voava e deixava cair para a terra bênçãos e chuvas de amor.
Veio o meu Jesus, fez-me por algum tempo esquecer a dor. Começou o meu coração a dilatar-se e a arder em chamas.
- Venho, minha filha, felicitar-te, saudar-te, louvar-te pelo teu aniversário, pela tua vida tão cheia de maravilhas, tão rica de virtudes, tão rica de amor! A tua vida é de rios de ouro e minas de pedras preciosas! Nunca o mundo viu nem voltará a ver; és a vida das almas! É com esta riqueza que elas são resgatadas, que elas são salvas.
- Falai, falai, meu Jesus, são para Vós as felicitações, as saudações e os louvores.
O que faço eu sem Vós, meu Jesus? O que sou eu sem Vós? Podeis dizer, podeis falar, a grandeza é Vossa, a miséria é minha.
- Louvo-te pela tua fidelidade e correspondência às minhas graças divinas! Louvo-te pela tua reparação!
Quantas vítimas escolhi e recebi uma recusa; quantas chamei e não me escutaram! A quantas convidei a uma alta elevação para Mim e nada consegui…
Em ti consolei-Me, de ti tudo recebi. Tu és o instrumento das almas, és a conquistadora de Cristo! Toda a tua vida é uma vida de maravilhas!
Se pudesses ver as almas que por ti foram salvas! E ultimamente, nestes três anos do teu jejum!...
Que grande meio para acudir aos pecadores!... Mostro aqui o Meu poder, as Minhas ânsias e o Meu amor para com eles.
Nada te disse no aniversário do teu jejum, para tirar da tua amargura toda a doçura para Mim e todo o proveito para as almas. E vou já assim preparando-te para tua última fase.
Martírio acompanhado com o jejum será o maior meio, o último meio de salvação! Não será só riqueza de rios de ouro e minas preciosas, mas será um mundo de ouro, um mundo das mesmas pedras!
O martírio subirá ao auge e o amor atingirá toda a altura!
O amor a Jesus, a dor pelas almas, reparação sem igual!...
Recebe agora, minha filha, o Sangue do Meu Divino Coração: é a vida que necessitas, é a vida que dás às almas!
Vi o Coração Divino de Jesus a arder em chamas, a transbordar de amor. Unido aos meus lábios, sentia o Sangue correr e o meu coração por muito tempo a dilatar-se.
- Minha filha, o Céu louva-Me por te ter criado, louva-Me pela honra que Me dás e louvor que já da terra recebo.
O Céu louva-Me e sempre Me louvará! Da terra já recebo louvores e dentro em breve todo o mundo Me dará louvor pela minha vítima, pela nova redentora.
Prepara-te, filhinha, vou-Me dar a ti. É um sinal que, mesmo escondido, sempre em ti habito. Repara, desce o Céu sobre ti. Dou-Me a ti numa comunhão real, numa comunhão eucarística.
Desceu sobre mim a abóbada do céu.
- Que lindo, que lindo! – exclamei eu. Vale a pena, meu Jesus, sofrer e sofrer tudo para possuir o céu!
Eram tantos, tantos os anjos que batiam as asas e prestavam homenagens a Jesus!
Desta vez não cantavam. Adoravam e inclinavam-se em sinal de reverência na presença de Jesus. Ele disse as palavras Ecce Agnus Dei e depois as de Corpus Domini Jesu Christi (1).
Parece-me bem que estendi a língua para receber Jesus. Ficamos por uns momentos num silêncio profundo, numa união tão grande! Depois Jesus chamou pela Mãezinha.
- Mãe Bendita, vem saudar e acariciar a nossa filhinha, a nossa vítima!
Ela veio, tomou-me para o Seu regaço, cobriu-me de mimos e entrelaçou os seus santíssimos braços nos de Jesus, e estreitavam-me os dois ao mesmo tempo.
- Minha filha, flor mimosa do meu Jesus, amo-te, amo-te com Ele. Recebe todo o nosso amor.
Saúdo-te pelo louvor, honra e almas que Nos dás. Sofre, sofre contente! É a Mãe que pede para os Seus filhos, é a Mãe que pede para os irmãos teus.
Beijava-me dum lado Jesus e do outro a Mãezinha. Jesus acrescentou:
- Vai, filhinha, vai escrever tudo! Para tudo o que disseres, tudo o que fizeres, terás sempre a luz do Divino Espírito Santo; é Ele que fala em ti.
- Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha!
Fiquei logo duvidosa de tudo e mergulhada em tanta dor: de nada me valiam as pessoas queridas que me rodeavam. Vieram ainda espinhos tão agudos a ferirem-me. Por tudo bendisse ao Senhor e, como remate, rezei o Magnificat. 
  

(1) No dia 11 de Abril, pergunta-me: “O que querem dizer estas palavras? E as outras, Corpus Domini Jesu Christi?” Notei também que normalmente ela não sabe estas frases e, referindo-se a elas, diz: “aquelas palavras que Jesus disse na comunhão” (Pe. Humberto?)

sábado, 15 de novembro de 2014

A Pedra de Ara do altar-mor de Balasar


Enviaram-nos alguns notáveis extractos do Boletim Paroquial de Balasar que não constam na nossa colecção desse boletim.
A inauguração da ampliação e restauro da Igreja Paroquial teve lugar no dia de 15 de Agosto de 1978:

O dia 15 de Agosto, terça-feira, será dia de festa. Festa de Nossa Senhora da Assunção – Maria é o Templo Santo de Deus – e festa grande para todos os filhos de Balasar e amigos.
Às 17h00 horas chegará o Senhor D. Manuel Ferreira Cabral, Bispo Auxiliar de Braga que, com as cerimónias rituais, benzerá a Igreja e sagrará o Altar de Pedra onde serão encerradas as relíquias de vários Santos, entre os quais as de S. Francisco Xavier, de Santa Maria Goretti e outras.


Notável esta referência às relíquias contidas na pedra de ara: de São Francisco Xavier, o Apóstolo do Oriente, e da jovem Santa Maria Goretti, a Mártir da Pureza.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Beata Alexandrina na Revista "Theologica"

O volume XLIX, fasc. 1, da revista Theologica, da Faculdade de Teologia de Braga, traz um artigo intitulado "Apontamentos sobre a «espiritualidade vitimal» em Alexandrina Maria da Costa". É seu autor o docente da mesma Faculdade de Teologia Alexandre Freire Duarte. Quando o lermos com vagar, esperamos tecer-lhe um breve comentário. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cartaz

Um amigo enviou-nos este programa relativo a um congresso promovido pelo Apostolado da Oração e que decorreu em Braga (clique sobre ele para o ver em tamanho maior). Ao fundo ocorre o nome o Pe. Mariano Pinho. Não possuímos cartazes dos outros dias.

Procurando nas cartas da Beata Alexandrina, verifica-se que a data do congresso corresponde a um período em que a sua doença era tal que ela não conseguia escrever ao Director. A Deolinda escreveu-lhe no dia 25 e por sinal mencionou o dia 21.

Balasar, 25 de Junho de 1936

Viva Jesus!
         Senhor P. Pinho      
    Resolvi escrever-lhe de novo, para contar a V. Revª como tem passado a Alexandrina. Pensava que V. Rev., a estas horas, já saberia alguma coisa pela D. Sãozinha, que tencionava ir a Braga no dia vinte e um. Mas, como o tempo não permitiu, ela não foi e eis a razão porque resolvi escrever esta carta a contar o pouco que sei da Alexandrina.
         Ela continua a passar muito mal, constantemente com aquelas tremuras, que lhe dão principalmente de dia. Às vezes aflige-se tanto que passa bocados de tempo sem poder falar nada, só por sinais é que sabemos o que ela quer.
         No domingo à tarde, deram-lhe tremuras tão fortes e por tanto tempo, ela estava tão doente, tão doente que dizia assim:
― Agora é bem verdade que me parece que não posso mais.
         Mas, dali a bocadinho, ouvi-a dizer baixinho:
― Ó meu Jesus, perdoai-me os meus queixumes! Com o vosso auxílio prometo não os tornar a fazer.
         As aflições da alma continuam. A Alexandrina diz que é tão pobrezinha que não tem nada, que está de mãos vazias para aparecer diante de Nosso Senhor. Dantes parecia-lhe que tudo o que fazia e rezava logo desaparecia e que ela ficava sem nada. Agora diz que ao pensar em fazer as coisas, mesmo sem ainda as ter feito, que já tudo tem desaparecido.
         Os assaltos do demónio continuam furiosos. Há dias pareceu senti-lo de um lado para o outro dela e, dando risadas muito finas, dizia-lhe:
— Isto é que me consola e é que eu acho lindo. Contigo já não preciso de me afligir: estás por minha conta. Estás abandonada por Deus e pelos teus dirigentes, os quais já quase se não importam de ti. São uns impostores. Não fizeram melhor cena do que tu por te acreditarem. Eu é que te falava verdade. Sou a verdade que se não engana. Eles andam a dizer os teus pecados, a fazer pouco de ti.
         E outras coisas semelhantes a estas.
         Adeus até não sei quando. Não sei quando poderei voltar a escrever. Há vinte e quatro horas que principiei esta carta e vi riscos de a não acabar a tempo de ir hoje no correio. A Alexandrina pede que a abençoe e que, por caridade, peça muito a Jesus por ela. Muitas lembranças de minha mãe e da D. Sãozinha.
         Por caridade, abençoe-me e não esqueça junto de Jesus a pobre
         Deolinda

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Teologia mística

O Pe. Mariano Pinho escreveu uma vez:
O Pe. Arintero, na sua Evolución Mística, a cada passo ensina que muitos são os chamados à vida contemplativa, numerosos os que a iniciam e se nem todos a realizam plenamente (os que atingem os graus supremos da mística são reduzidos) é, no parecer do mesmo distinto autor, pela dificuldade árdua desses caminhos e por falta de Directores experimentados, e tem estas palavras severas: “a crassa ignorância dos caminhos de Deus, as contínuas imprudências e temeridades, a falta de zelo e quiçá sobre de zelos, as intenções rasteiras de tantos directores ineptos que não sentem, nem sabem, nem querem saber as coisas do espírito, são responsáveis diante de Deus de que a imensa maioria, o 90%, segundo o Pe. Godinez, das almas que se encontram nesta aridez (fala de purgações passivas) em vez de passarem em cheio ao estado da contemplação a que Deus as chama com insistência, descaiam lastimosamente do seu primeiro fervor numa tibieza habitual ou tornem à vida mundana…” [1].
Imagem de S. Teresa de Ávila na Basílica do Convento de Mafra.

Nem entender as frases desta citação é fácil quanto mais saber um pouco de mística! No nosso caso, ignoramo-la quase por completo.

Por isso achamos curiosa esta recomendação vinda do Arcebispo de Braga e que achamos num capítulo de visita de 2 de Junho de 1768:
E tanto o Rev. Pároco como todos os mais eclesiásticos se aplicarão ao estudo da teologia mística, visto é lição especial, por alguns livros próprios deste importante ministério para governo e direcção das almas, advertindo que passado o termo de seis meses se lhes há-de perguntar em seus exames a sobredita matéria. 
Com a teologia mística, vinham à baila S. João da Cruz e Santa Teresa de Ávila.



[1] Fr. G. Arintero, O.P., Evolución Mística, lib. III, pág. 368; Salamanca, 1930.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

29 de Março de 1945, Quinta-feira Santa

É já noite e a minha alma sente como nunca que é a noite do amor, é a noite mais santa. Jesus vai partir e quer ficar entre nós. Que enleio de amor, que prisões do Seu Coração para os corações dos que Lhe são queridos! Que ansiedade de ir e de ficar!
O meu coração experimenta tudo isto. Eu sou pão, sou vinho, sou hóstia, sou sacrário.
Que noite rica, que noite bela! Os anjos desceram do Céu a adorar tão grande mistério.

Mas, oh, o que espera Jesus! Que traição, que falsas armadilhas tem a Seu lado!
Vejo o Horto, vejo o sangue: tudo em silêncio, para só Jesus ouvir e sentir.
E que despreocupação a dos queridos do Seu Coração! Pouco compreendem da dor e aflição de Jesus. 

domingo, 26 de outubro de 2014

A propósito do "registo" da Santa Cruz

Há uma pagela chamada registo que era distribuída na capela da Santa Cruz de Balasar em cujo fundo, como nos ex-votos, vinha uma cartela onde se lia:

N. S. da Cruz aparecida no monte Calvário, na freguesia de Balasar, a 22 de Junho de 1832.
O N. Ex.mo Prelado concedeu 40 dias de indulgências (a) todas as pessoas que rezarem, de joelhos, um P. N. e Ave-Maria diante desta estampa pela extirpação das heresias, concórdia entre os príncipes cristãos e excitação (exaltação) da S.ta Madre Igreja Católica.


É curioso verificar que a intenção proposta era muito antiga. Consta por exemplo num documento de 11 de Março de 1782, de que abaixo se copia a primeira e principal parte (clique sobre ele para o ver em tamanho maior). 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ao peregrino da Beata Alexandrina


O peregrino que vai a Fátima aqui do norte costuma aproveitar para se enriquecer culturalmente conhecendo alguns dos monumentos importantes que existem nas redondezas: a Batalha, Leiria, Alcobaça, Ourém com o seu Castelo, Tomar, etc. Também o peregrino de Balasar poderá ir da terra da Alexandrina mais culto … além de mais piedoso.
Que há nas redondezas que o possa cativar?
Antes de mais há algumas instalações hoteleiras, em Gondifelos (Quintade Cruges) e Arcos (Villa de Arcos, Quinta de São Miguel). Já é alguma coisa pois que se trata de turismo predominantemente rural.
Há também o caminho de Santiago, com o seu albergue em Rates. E nesta vila há o seu monumento românico, o seu pequeno mas valioso museu.
Quando será que os responsáveis pelo Caminho de Santiago na Internet se lembram de anunciar, nas proximidades de Rates, a terra onde viveu a Beata Alexandrina e se encontra o seu túmulo?
Mas há mais: há a Cividade de Bagunte, o Castro de Argifonso nas proximidades dela (creio que não visitável), o Castro de Penices, quase pegado a Balasar.
E há ainda as pontes românicas da Gravateira, em Gondifelos, um belo Calvário a poucos metros (pode vê-los aqui), a ponte românica de Arcos. E a igreja românica de Rio Mau.
E não haverá mais? Há com certeza.
Quando em Balasar se deseja a canonização da Beata Alexandrina, não fará nada mal saber que tão perto, em Rates, houve um santo justamente despromovido, São Pedro de Rates. Quem não terá curiosidade em saber o que se passou?

O nosso estudo da história de Balasar tem-nos obrigado a estudar muitas coisas que desconhecíamos. As que acabamos de enunciar são algumas delas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Em Balasar


Estivemos hoje em Balasar quando passava pouco das dez horas. O tempo estava nublado e a ameaçar chuva, mas havia bastante gente, nomeadamente na igreja.
Soubemos que a peregrinação da Alexandrina Society veio no passado sábado, dia em que veio também uma outra onde se incluía gente da Croácia.
Reze pela canonização da Beata Alexandrina.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Santa Teresa de Ávila das Mary’s Dowry Productions


A vida da mística espanhola, autora, reformadora e Doutora da Oração Santa Teresa de Ávila é analisada em detalhe neste filme biográfico que é apropriado para todos. 
O início da vida de Santa Teresa, as suas devoções, sofrimentos e decisões, bem como seu noviciado, conversões, desenvolvimento de oração, sua reforma da Ordem Carmelita e muito mais são aqui cuidadosamente apresentados.
Qualidades naturais de Santa Teresa, seu humor, devoção e escritos atraíram e inspiraram muitos durante sua vida e continuam a fazê-lo hoje. 
Bem-humorada, determinada e profundamente apaixonada por Deus, ela é um grande exemplo para todos. 
Arte sacra, pinturas, fotografias e mapas da Espanha, um fantasiado visual simples, cenário, narrativa e música se combinam para apresentar um filme criativo, detalhado e devoto da vida de Santa Teresa de Ávila.
Este novo DVD está disponível em todo o mundo a partir de nossa loja on-line 
Os escritos da grande mística Santa Teresa de Ávila são indispensável para o estudo da Beata Alexandrina.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Santa Teresinha e a Beata Alexandrina


Agora que estamos a caminho do dia 13, copia-se, dos Sentimentos da Alma  de 3 de Outubro de 1947, este breve diálogo entre Santa Teresinha e a Beata Alexandrina. Santa Teresinha promete que virá ao encontro da Alexandrina “na passagem para a eternidade”.

Veio Santa Teresinha, vestida de luz, com um diadema formosíssimo. Como ela era linda e bondosa!
Abraçou-me, beijou-me muito e num abraço prolongado disse-me:
- Minha irmã, esposa do Meu Esposo e filha do Meu Senhor, tem coragem!
Que grande glória te espera no Céu! Que formosa coroa formada do teu martírio!
Sofre com alegria, conta com a minha protecção aqui na terra e virei ao teu encontro na passagem para a eternidade.
Imagem de Santa Teresinha que existe no quarto da Alexandrina e que é fotografia duma escultura da igreja poveira da Misericórdia.

- Santa Teresinha, minha querida Santa Teresinha, confio em ti, conto com a tua protecção, ama por mim a Jesus e à Mãezinha e a toda a Santíssima Trindade.

domingo, 5 de outubro de 2014

Os últimos momentos da vida terrena da Beata Alexandrina


Na biografia da Beata Alexandrina Só por Amor!, a D. Eugénia recolhe este testemunho da Dra. Irene de Azevedo, filha do Dr. Azevedo (querida amiga que muitas vezes tinha escrito, em substituição da Deolinda, o que a Alexandrina ditava para os seus diários), sobre os últimos momentos da vida terrena da biografada:
Uma das últimas fotografias da Beata Alexandrina.

Tinha-se a sensação de que naquele quarto de dor acontecia algo de tremendamente grande e misterioso: tinham chegado os últimos momentos duma vítima à qual tinha sido pedida uma grande reparação.
Junto dela, tentava dar-lhe um pouco de consolo molhando-lhe os lábios secos.
Não ousava quase falar com o temor de lhe aumentar o sofrimento.
(...) Pedia com insistência a Deus que a levasse depressa para o Céu: única oração digna dela. (...) Que expressão tinha! Santa resignação à vontade de Deus, mas sofrimento de aterrorizar, e tal que uma alma pode suportar naquele modo só com uma graça e uma ajuda grande do Senhor.
Desde então faço uma ideia do que terá sido a Paixão e Morte do Senhor. (...) Contemplando o seu vulto dolorosíssimo, parecia-me ouvir a frase de Jesus: “Pai, porque me abandonaste?”
Tudo estava consumado.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Programa para 13 de Outubro

Está a chegar o dia 13 de Outubro, aniversário do "voo" da Beata Alexandrina para o Céu. Colocamos a seguir o programa que a Paróquia de Balasar preparou para esse dia.
Espera-se que venha então uma peregrinação da Irlanda e da Escócia.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Para a história da Santa Cruz

Este documento data de 1823, nove anos antes da aparição da Santa Cruz no Calvário, e dá conta do temor que se apossou dos liberais quando houve o primeiro levantamento militar contra eles. Foi registado nos livros paroquiais das visitas e mais tarde veio ordem para o tornar ilegível. Houve párocos que acataram a ordem, outros nem tanto, como foi o que riscou a cópia que se coloca ao fundo.
Na verdade, o documento é precedido por parte duma exortação das autoridades eclesiásticas bracarenses adversa ao teor do documento liberal.
Viveram-se então décadas terríveis.

O Doutor Manuel José Leite Pereira, Abade de S. Pedro de Maximinos, Desembargador, Provisor e Vigário Geral nesta Corte e Arcebispado pelo Ex.mo e Rev.mo Senhor D. Fr. Miguel da Madre de Deus, Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas, etc., faço saber aos Rev.dos Párocos que, da parte dos Senhores Governadores do Arcebispado, me foi dirigida a Exortação seguinte:

Os Governadores do Arcebispado Primaz aos Rev.dos Párocos, ao Venerável Clero Secular e Regular e aos mais súbditos desta Santa Igreja.
Aparecendo a luz, dissipam-se as trevas e, aparecendo a verdade, dissipam-se os erros, os enganos, tais foram aqueles que motivaram a nossa exortação datada no dia 15 de Março de 1823, expedida por força da Régia Portaria do teor seguinte:

Manda El-Rei pela Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça:
Atendendo a que o terrível exemplo de perjuro dado pelo Conde de Amarante pode alucinar alguns incautos desconhecedores de seus verdadeiros interesses e consequentemente deixarem-se arrastar por mal-intencionados que só desejam ver derramado o sangue dos irmãos, parentes e amigos para, no meio da desordem, da confusão e da carnagem, darem cruento pasto a inveterados ódios e antigas rixas, sem lhes importar transpor todas as barreiras da humanidade, da honra e da probidade, virtudes inatas em verdadeiros Portugueses, contanto porém que imaginam conseguir assim os seus perversos e danados intentos, que o Reverendo Arcebispo Primaz ou quem suas vezes fizer ordene a todos os Párocos da sua Diocese instruam os seus fregueses no horror em que devem ter os que, violando um tão sagrado juramento como o que há pouco prestaram à Constituição da Monarquia, única forma de governo que pode fazer a felicidade dos Portugueses, se hão deixado, desapercebidos, fascinar por aquele rebelde, que verdadeiramente lhes façam sentir os iminentes males que lhes caberiam em partilha se deixassem contaminar-se com um tão execrando modelo, cumprindo ao mesmo tempo fazer-lhes conhecer quanta obediência devemos prestar à Constituição e leis regentes (vigentes?), o respeito devido às autoridades constituídas e quanto enfim seria terrível a Sua Majestade que mais sectário encontrasse o detestável exemplo de Vila Real, cujo estranho procedimento entre Portugueses tem profundamente magoado seu coração paternal.
Palácio da Bemposta, em 5 de Março de 1823.
José da Silva Carvalho

sábado, 20 de setembro de 2014

Homenagem à Beata Alexandrina

Andamos a preparar uma monografia de Balasar em seis pequenos volumes. O primeiro, esperamos apresentá-lo em Dezembro, embora já tenhamos connosco um exemplar; tem por título Balasar Antiga. O seguinte, que da nossa parte está quase pronto, chamar-se-á Balasar. O Século de D. Benta. Os outros volumes estão todos bastante adiantados e tencionamos que saiam ao longo dos próximos anos.
Gostávamos que o conjunto fosse uma grande homenagem à Beata Alexandrina e que fizesse alguma luz sobre vários aspectos da sua vida.
Saiu um novo número do Boletim de Graças.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DA IGREJA DO MATINHO À IGREJA NOVA (15)

O transepto

O maior ganho em termos de espaço das obras de 1976-1978 foi conseguido com a criação do transepto, sendo aproveitado o piso térreo e construídas galerias superiores de ambos os lados.
A norte colocou-se a nova campa rasa da Alexandrina, uma urgência para pôr as suas relíquias à guarda da paróquia e fora da alçada da junta, cuja colaboração não se poderia garantir, mormente nos tempos tumultuosos que se viviam.
Exteriormente, nas extremidades do cume, foram colocadas três imagens em pedra, adquiridas em segunda mão. A que fica a norte pretende representar Santa Eulália (informação do Pe. Francisco); as outras duas representam o Sagrado Coração de Jesus, a nascente, e São José, a sul.
Imagem de boa qualidade estética, no extremo norte do cume do transepto, que pretende representar a padroeira de Balasar, Santa Eulália.

O altar-mor

Tendo-se apagado toda a memória da decoração da igreja que vinha de 1909, o altar-mor foi necessariamente substituído. Em seu lugar instalou-se uma composição berrantemente moderna, de aceitável qualidade artística[1]. 
Fotografia publicada no Boletim de Graças que mostra uma fase das obras da construção do transepto.

[1] O altar anterior ainda obrigava o celebrante a estar de costas para os fiéis e foi por essa altura que as normas litúrgicas se alteraram neste pormenor (e em muitos outros).

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

DA IGREJA DO MATINHO À IGREJA NOVA (14)

As obras de 1976-1978

Passados 60 anos, a nova igreja de Balasar já não comportava a população, que aumentara muito: já havia mais umas 700 pessoas que em 1910; além disso, a devoção à Alexandrina deve ter atingido então um dos pontos mais altos. Que se havia de fazer?
Optou-se por um aproveitamento novo do espaço antigo, por uma ampliação.
Mas sacrificou-se a jóia da coroa: refez-se a capela-mor, o que implicou retirar toda a sua excelente talha, a tribuna e o painel do Bom-Pastor. Do corpo da igreja foram também retirados os altares laterais com os seus retábulos.
Fotografia publicada no Boletim de Graças, com a respectiva legenda, que mostra a Igreja Paroquial já sem o retábulo do altar-mor. Ainda se não tinham removidos os laterais.

O interior da igreja, aquele em que a Beata aprendeu e ensinou catequese, em que foi corista, em que rezou, onde a sua mãe passara tantas horas em oração, em que pregara o Pe. Mariano Pinho, que encantava o Pe. Leopoldino, ficou irreconhecível.
Haveria outras soluções? Talvez houvesse, talvez fossem mais caras, talvez não fossem viáveis a curto prazo[1].

As obras promovidas nos anos de 1976-1978 ficaram recordadas no lintel da porta principal da Igreja Paroquial.



[1] A escolha do lugar para a construção desta igreja não foi feliz. Dever-se-ia ter procurado um espaço muito mais amplo, sem barrancos. Isso limitou as possibilidades da ampliação. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

DA IGREJA DO MATINHO À IGREJA NOVA (13)

A Igreja de Balasar, a de Amorim e a da Misericórdia

A Igreja de Balasar, a de Amorim e a da Misericórdia são contemporâneas. A de Amorim começou a ser construída em 1908 mas só foi benzida em 1920; a construção da da Misericórdia começou talvez no mesmo ano e foi benzida em 1914.
Globalmente, a de Balasar é a que mais fiel se mantém à tradição arquitectónica e decorativa; os arquitectos da de Amorim e da da Misericórdia claramente pretenderam trilhar caminhos novos. Na da Misericórdia destacam-se a fachada aparatosa e um interior rico e belo, mas sem exageros; à de Amorim apetece chamar igreja de brasileiro, pelo seu carácter vistoso e por certa riqueza de decoração, mais no exterior; o interior não é particularmente feliz.

Interior da Igreja Nova de Amorim.

Na de Balasar todavia há dois aspectos que a tornam notável, a sua dimensão e a sua talha. A sua dimensão fez dela caso único na região durante muito tempo e foi certamente isso que levou a que, em tempo do Pe. Leopoldino, lá tivessem decorrido sucessivos e grandes encontros de fiéis de várias paróquias vizinhas; a talha, em especial a do retábulo do altar-mor, sem romper com a linha tradicional, era belíssima.
Cândido dos Santos, falando da igreja nova, classificou-a de “sumptuoso templo”; o Pe. Leopoldino chamou-lhe “ampla e majestosa” igreja. Estas avaliações devem reflectir a sensação que então a igreja dava às pessoas de Balasar e às de fora.
Porta principal da Igreja Nova de Amorim.