sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Beata Alexandrina na Califórnia


A Maria Rita Scrimieri proferiu uma conferência sobre a Beata Alexandrina na Califórnia, em Setembro passado. Veja aqui.
No Wisconsin, em Green Bay, existe um Alexandrina Center. Alexandrina é a Beata Alexandrina.
Esta informação baseia-se no novo n.º do Boletim de Graças.

domingo, 23 de dezembro de 2012

O P.e Joaquim Carreira, sucessor de Monsenhor Manuel Pereira Vilar na direcção do Pontifício Colégio Português de Roma


O Público de hoje dá grande destaque ao P.e Joaquim Carreira: dá-lho na capa da edição impressa e numa revista. Este sacerdote, que salvou dezenas de judeus da caírem nas mãos dos nazis, sucedeu ao Mons. Manuel Vilar na direcção do Pontifício Colégio Português de Roma, como se afirma na revista: “(…) Joaquim Carreira chegou à capital italiana a 4 de Maio de 1940, com 31 anos, para ocupar o cargo de vice-reitor do Colégio Pontifício Português.  Em 1941, com a morte do reitor, Monsenhor Manuel Pereira Vilar, passaria a reitor interino”.
A ocupação de Roma pelos alemães só ocorreu em Setembro de 1943, bem dois anos após o falecimento do grande amigo e admirador da Beata Alexandrina.
À noite, a SIC retomou o trabalho jornalístico do Público e dedicou também bastante espaço ao P.e Joaquim Carreira.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Meditação de Natal


Os Evangelhos não nos dizem nada da infância nem da juventude de Jesus. S. Mateus e S. Lucas falam do nascimento, para afirmar que ele foi virginal, segundo o anúncio de Isaías, e para afirmar a filiação divina. S. Lucas tem depois aquele episódio da ida anual a Jerusalém aos doze anos, mas é facto isolado. Só podemos imaginar como foi a vida de Jesus na infância e na juventude. Neste caso, interessa-nos a juventude.
Para fazermos ideia do que ela foi precisamos de saber alguma coisa sobre o judaísmo do tempo. Como foi a vida dele durante os anos em que viveu em Nazaré?
Ele seria aplicado e alegre no trabalho, piedoso, frequentador da sinagoga, atento aos necessitados. Mas sem dar muito nas vistas, como a sua Mãe. Se considerarmos os modelos de vida activa, Marta, e de vida contemplativa, Maria, do Evangelho de S. João, Jesus e sua Mãe viveriam mais a vida contemplativa. Vida que Jesus limitou com a sua pregação ambulante e pública e a que Nossa Senhora se terá entregado sempre.
S. José, esse terá entretanto falecido.
Por volta dos 30 anos Jesus ter-se-á aproximado do profeta que então se manifestou, S. João Baptista.
S. João Baptista era um homem do sul, ao contrário de Jesus, e devia ter tido alguma ligação aos essénios. Era um homem do deserto e do Jordão. Faz lembrar a entrada dos hebreus na Terra Prometida. O seu baptismo (no Jordão) proporcionaria como que o ingresso na nova terra. Jesus era do norte.
Mas não é só a diferença de origem geográfica que separa e separará Jesus do Baptista. Jesus vai até às pessoas, convive com elas, instala-se numa cidade, Cafarnaum, ao contrário do Baptista que se instalou no deserto, usava umas vestes estranhas e se alimentava de modo também estranho. João testemunha a respeito de Jesus e Jesus testemunhará a respeito de João.
Mas isto são diferenças menores, a maior, por sinal, destaca-se também na ligação a S. João Baptista: a filiação divina. O baptismo no Jordão é um episódio maior dessa revelação. Os evangelistas referem-no, de um modo ou de outro. Aí é ouvida a voz de Deus Pai a testemunhar a filiação divina de Jesus, enquanto o Espírito Santo desce sobre Ele em forma de pomba.
Afirmar de um homem comum que é o Filho de Deus é abismal, como há-de ser abismal proclamar que Ele ressuscitou.
Nos Evangelhos, para o leitor menos atento, parece que o que está em causa é sobretudo o ensino de Jesus, o amor que devemos a todos e a relação com Deus. Mas estes ensinamentos não se separam das duas questões anteriores: é o Filho de Deus que ensina, é do Ressuscitado que os evangelistas falam. A importantíssima tarefa deles foi mesmo proclamar a sua filiação divina, proclamar que Ele ressuscitou e recolher o seu ensino. Ensino que S. Paulo quase não menciona, bastando-lhe reconhecê-Lo como aquele que cumpriu as promessas do Antigo Testamento.
Não foi fácil para as primeiras comunidades absorverem a afirmação da filiação divina nem a da ressurreição. Nem é para nós. O Natal devia proporcionar uma séria, aprofundada meditação sobre estes verdadeiros mistérios. A fé não pode ser coisa superficial, deve ser exigente, para depois merecer uma adesão entusiasta.
Quem de nós faria inteiramente sua esta citação da Carta de S. Paulo aos Colossenses?
Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura:
porque n’Ele foram criadas todas as coisas: nos Céus e na Terra, visíveis e invisíveis (...)Por Ele e para Ele tudo foi criado.Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste.Ele é a cabeça da Igreja, que é o Seu corpo.Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos;
em tudo Ele tem o primeiro lugar.

Apelo de Jesus através da Beata Alexandrina

Desceu Jesus do Céu e vai falar pela sua porta-voz. Ouvi, meus filhos:
Sereis meus filhos, se me amardes e seguirdes a minha Lei.
Sereis benditos do meu Pai: abrasai-vos no meu amor. Dar-vos-ei todas as graças.
Sereis meus filhos se professardes a minha Lei.
Sereis meus filhos se, por meu amor, levardes a vossa cruz.
Sereis meus filhos se, por meu amor, fordes apóstolos do bem.
(30-10-53)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Honra e glória ao Senhor nos altos Céus!


Honra e glória ao Senhor nos altos Céus!
Chegou enfim o dia da minha alegria e de todos os que são verdadeiramente devotos da querida Mãezinha!
Ó Virgem da Assunção, ó Mãezinha Imaculada, mais que os Anjos pura e bela!
Criou-Vos o Senhor tão pura, tão pura, com a sua mesma pureza, criou-Vos para serdes sua Mãe.
Oh, como és bela e imaculada, em Ti não há mancha de pecado!
Ó Céus, falai de mim, por mim aclamai à Mãe do Senhor e Mãe nossa, a Rainha dos Céus e da Terra!
Mãezinha, sou tua, faz-me pura!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Como era a igreja em que a Beata Alexandrina foi baptizada?


Já sabíamos duas coisas sobre a igreja paroquial onde a Beata Alexandrina foi baptizada, a sua localização bastante exacta, por uma planta do cemitério, e a sua “medição”, feita em 1830. Mas agora temos um dado novo.
Numa planta de 1905, da estrada que se queria abrir entre a Santa Cruz e Vila Pouca, vem um pequeno desenho do adro, com a respectiva igreja e com a localização da residência. A nitidez do desenho na planta já não é grande e a da nossa cópia é naturalmente pior, mas ainda assim permite perceber várias coisas.
Balasar é uma freguesia grande, que à data tinha perto de mil habitantes, mas o adro e a igreja eram acanhados. Se para as missas de preceito se poderia recorrer às capelas do Senhor da Cruz e de Santa Luzia – era ali que se tinham de fazer os enterros. E não havia para onde alargar.
Isto nota-se na capela-mor: tinha-se aproveitado muito espaço e o resultado não podia ser brilhante. Visualmente, a igreja estava desfigurada.
Na actual igreja paroquial há muitas imagens que vieram do Matinho.
A linha que envolve a igreja delimita o adro; a capela-mor ficava para poente. À direita, para sul, estava a residência paroquial. De notar o traçado da nova estrada, que é a actual. O cemitério acabado de construir em 1914 aproveitou o espaço da igreja, do seu adro e da residência.

A modernização de Balasar começou em 1878, com a inauguração da estação das Fontainhas e o começo da abertura da estrada municipal do Cubo a Gresufes, quando era vereador José Domingues Furtado, da Gandra.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A vista do Dr. Elísio de Moura - 26 de Dezembro de 1938 (fim)


Já se começou a ver que a narrativa original da Alexandrina sobre a visita do Dr. Elísio de Moura, que a seguir o P.e Humberto comenta, é muito sintética. Quantas coisas omitiu! E isto é certamente verdade a respeito de outros episódios, como o do Salto.

Foi mesmo naquela ocasião que, na salinha dos Costas, o Director da Alexandrina, ao referir-lhe o médico que nada de anormal achava na Alexandrina, expôs o estranho fenómeno que nela se verificava quando ouvia pronunciar a palavra «pecado», ou também «pecadores». O Prof. Elísio de Moura, resoluto como um raio, como quem julga haver descoberto finalmente o fio duma intrincada meada, reentrou expeditamente no quarto da Alexandrina.
Sentou-se perto dela e perguntou-lhe: «Ó Joaninha, sabes rezar?... Rezas muito?» «Pouquinho, senhor doutor. Rezo como me permitem as minhas forças!», responde a Alexan­drina. «Diz comigo: Ave Maria...» e rezou com ela toda a oração. Mas o estranho estremecimento não se manifestou. Triunfante, deu-lhe na face uma palmadita e, como explo­dindo, acrescentou: «Vês que desta vez te apanhei em falta? Eu disse «pecadores» e tu...!» Mas gelou-se-lhe a frase na garganta, porque viu a Alexandrina agitar-se violentamente, como sacudida por uma força misteriosa. O professor, então lançou-se nervoso sobre ela e, como a prendê-la num torno, segurou os joelhos sob os ferros da cama, e procurou com as mãos agarrar-se aos ferros do lado oposto, mas por mais esforços que fizesse para conservar firme a doente, não o conseguiu. Além disso, pelas sacudidelas violentas da Alexandrina, foi lançado ao ar umas poucas de vezes, recaindo sempre pesadamente. Teve de desistir, vencido, das tentativas de imobilizar a doente.
A explicação do sucedido, o eminente psiquiatra recebeu-a do próprio Director, que expôs o que havia observado antecedentemente, isto é, que quando a Alexandrina se punha no número dos pecadores, como acontece nas palavras da Ave-Maria: «rogai por nós, pecadores», o estranho fenómeno não se registava. O Dr. Moura, antes de deixar a casa, com a mão erguida para a doente, a despedir-se, dizia-lhe, delicada, afectuosamente: «Adeus, Alexandrina, e reza também por mim!»

Humberto Pasquale, Beata Alexandrina, Edições Salesianas, 7ª edição, págs. 145-6.

A Alexandrina não era ingénua, seleccionava o que queria passar a escrito.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A vista do Dr. Elísio de Moura - 26 de Dezembro de 1938 (2)


O que se segue é transcrito de No Calvário de Balasar, do P.e Mariano Pinho. Depois de o lermos, vemos que a Alexandrina foi muito delicada para com o Dr. Elísio de Moura…

Achando-se pelo Natal em Braga, onde residíamos, o Dr. Elísio de Moura, conhecido neurologista, convidámo-lo a vir examinar a doente, a ver se na verdade, a sua paralisia teria por causa mielite ou não. Acedeu gostosamente ao nosso convite.
Explicámos-lhe então a razão do nosso interesse em conhecer a causa da doença: — é que tendo ela êxtase em que se movimentava perfeitamente, era de toda a conveniência perscrutar o valor desses movimentos, à face da Ciência.
Ergue bruscamente a cabeça e, em tom bem diferente daquele em que até ali estávamos conversando, respondeu-nos:
— Ah, sim? Está bem: eu vou lá e curo-a!
— Mas, Doutor, não é que tenhamos dúvidas da verdade dos êxtases da doente; queremos simplesmente saber até que ponto esses movimentos excedem as forças naturais, suposta a sua paralisia.
— Sim, sim: eu vou lá e curo-a! — repetiu.
Com tal predisposição apriorística, pareceu-nos logo que pouco resultado prático iria dar o tal exame. Mas lá fomos, ele, sua Esposa, o Padre José de Oliveira Dias, S.J. e nós, no dia 26 de Dezembro de 1938.
Sem nenhum interrogatório prévio, tratou-a como a própria Alexandrina nos descreve nas suas notas biográficas:

No dia 26 de Dezembro de 1938, fui visitada e examinada pelo Sr. Dr. Elísio de Moura, que me tratou cruelmente, tentando sentar-me numa cadeira com toda a violência. Como nada conseguisse, atirou-me para cima da cama, fazendo experiências que me fizeram sofrer horrivelmente. Tapou-me a boca, atirou-me contra a parede, fazendo-me dar uma forte pancada. Vendo-me quase desmaiada, disse-me:
— Ó minha Joaninha, não percas os sentidos.
Sem querer, chorei, mas as minhas lágrimas ofereci-as a Jesus com os meus sofrimentos que foram muitos, pois o que digo, nada é do que passei. Tudo lhe desculpei, porque ele vinha em missão de estudo.

Quanto aos fenómenos tais quais se apresentam (ele assistiu ao êxtase da Paixão), — são impressionantes, disse — e muito impressionantes, para quem não está habituado a observar o que eu observo: para mim são banais e não vejo motivo, da parte da Ciência, para os atribuir a forças estranhas.
— Então que causa lhe atribui? Histeria? — perguntámos.
— Não.
— Então?
Respondeu hesitando:
— Fraude e auto-sugestão.
É de notar que o Dr. Elísio de Moura, católico, o melhor psiquiatra português, mas não sabe nada de fenómenos místicos, como múltiplas vezes mo confessou, nem está disposto a admiti-los; mostrou-se até algo interessado, quando lhe disse que médicos eminentes os estudavam e admitiam. Não admite as estigmatizações dos Santos; mostra-se muito céptico a respeito dos milagres de Lurdes e indignado com a Voz de Fátima, pelos milagres que lá narra. Nunca leu nem estudou nada de Mística e afirma-me que não há nenhum médico em Portugal que saiba disto.
Procurei convencê-lo que estudasse, pois os teólogos em Portugal precisariam médico a quem recorrer em casos análogos, possíveis... Respondeu-me que não tinha tempo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Foi excelente!


Eu assisti ao programa sobre a Beata Alexandrina da Costa  na EWTN esta tarde e foi excelente! Os meus parabéns ao Kevin Rowles e a todos aqueles que prepararam o filme - é muito inspirador e é muito bem feito.
Aqueles que não viram o programa nos EUA poderão vê-lo no sábado, dia 08 de Dezembro, às 5 da manhã (creio que 10 em Portugal).
G. Dallaire

sábado, 1 de dezembro de 2012

A EWTN, a Madre Angélica e a Beata Alexandrina


Eternal Word Television Network (EWTN), Cadeia de Televisão da Palavra Eterna, que amanhã vai passar o DVD das Mary’s Dowry Productins e do Kevin Rowles,  é o maior canal de televisão católico do mundo. Foi fundado pela Madre Angélica em 1981 e actualmente alcança mais de 80 milhões de lares em 110 países.
Já se imagina a divulgação que o evento pode dar à nossa Beata.
A EWTN foi talvez quem primeiro colocou em linha um livro sobre a Alexandrina.
Se sabe inglês, abra também esta página.
Alguns dos links ingleses da Wikipédia que indico têm páginas mais simples em espanhol, em francês ou até em português.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O DVD da Beata Alexandrina vai ser transmitido na EWTN


Informaram-nos…

Aparentemente, o DVD da Beata Alexandrina vai ser transmitido na EWTN, no domingo 02 de Dezembro, 03:00, 20:00; quinta-feira 06 de Dezembro, 09:30, sábado 08 de Dezembro, às 11:30 h (1 hora). Esta é a hora do Reino Unido (creio que correspondem às de Portugal) - nos EUA  e outros países, será diferente – por favor, verifique no site EWTN.
A TV ETWN (Reino Unido), ao vivo, pode ser vista também em linha - http://www.ewtn.co.uk/content/live-tv 

Confirme no site da EWTN.


Here is the information for the EWTN showing in the USA  -  -

EWTN PRESENTS
BLESSED ALEXANDRINA MARIA DA COSTA
The story of Blessed Alexandrina, who became parylyzed 
after escaping her attackers but with a strong faith in Christ, 
she is given a unique vocation known as a 'Victim Soul.'
Show Day
Show Date
Start Time
Duration
Sunday
12/02/2012
01:30 PM
01:00

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A visita do Dr. Elísio de Moura - 26 de Dezembro de 1938 (1)


O Dr. Elísio de Moura era um psiquiatra católico, natural de Braga, professor em Coimbra e famoso em toda a Península Ibéria. O P.e Mariano Pinho quis que ele visse a Alexandrina. Ela contou assim aquela visita médica:

Em 26 de Dezembro de 1938, fui visitada e examinada pelo Sr. Dr. Elísio de Moura, que me tratou cruelmente, tentando sentar-me numa cadeira com toda a violência. Como nada conseguisse, atirou-me para cima da cama, fazendo várias experiências que me fizeram sofrer horrivelmente. Tapou-me a boca, atirou-me contra a parede, fazendo-me dar uma forte pancada. Vendo-me quase desmaiada, disse-me:
- Ó minha joaninha, não percas os sentidos!
Sem querer, chorei, mas todas as minhas lágrimas ofereci a Jesus com os meus sofrimentos, que foram muitos, pois o que digo nada é do muito que passei. Tudo lhe desculpei, porque ele vinha em missão de estudo.

Estranhos modos de tratar uma doente!
Veremos como a visita foi contada pelos biógrafos da nossa Beata.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um retrato da Beata Alexandrina


Quem se lembra ainda do Ícone da Beata Alexandrina? Ele guarda-se em Balasar, na capela-jazigo onde estão os restos mortais do P.e Mariano Pinho.
Poucas pessoas se lembrarão é que o P.e Pier Luigi Cameroni publicou sobre ele um livrinho, com texto em italiano e em português e com o título Alexandrina Icona della Pasqua del Signore.
Uma imagem da cópia portuguesa do ícone (a versão original é italiana) vem também no livro da iconógrafa, Domenica Ghidotti, Nuove Icone per Pregare.

Na imagem, a Beata Alexandrina na cópia italiana do seu ícone.

sábado, 24 de novembro de 2012

Antes de haver Balasar


É possível que algumas pessoas considerem distracção o que se escreve a seguir, mas a nossa Beata devia gostar bem da sua terra e portanto de a conhecer.
Veja-se o que se pode apurar desses tempos antigos sobre a terra onde ela nasceu e viveu, de quando ainda não havia Balasar:

Pode-se alvitrar, como hipótese de trabalho, uma data aproximada para a criação das paróquias de S. Salvador de Gresufes e Santa Eulália de Lousadelo: qualquer coisa como 950 para a primeira e 1000 para a segunda. Nas redondezas a única igreja paroquial cuja data de construção se conhece, a de Parada, remonta a 953. Como século e meio depois já estavam formadas quase todas as paróquias vizinhas hoje existentes, este alvitre para Gresufes e Lousadelo não deve estar muito errado.
Reúne-se a seguir aquilo que podemos saber com alguma segurança da história anterior destes espaços: informações relativas à antiguidade e à pré-história.
A delimitação da freguesia, ao menos nalguns casos, respeitou marcos pré-históricos. É o caso indubitável das duas mamoas, a que ficava entre Balasar e Macieira e a mamoa de baixo, entre Balasar e Fiães (S. Marinha de Vicente). Os tombos são claros ao reconhecê-las como pontos de referência. Pela indicação que o tombo de Gondifelos (vem a partir da página 25 deste número do Boletim Cultural de V. N. de Famalicão e o que interessa para o presente caso encontra-se logo no princípio) fornece sobre a destruição da mamoa de baixo e por não se conservar delas, nos locais, qualquer memória, deduz-se que talvez tenham sido ambas destruídas antes do século XVIII pelos pesquisadores de “minas encantadas”.
Os outeiros vêm do período de transição da pré-história para a antiguidade. Na freguesia identifica-se o de Revelhe, que ficaria no Telo, já próximo da Quinta, o que deu nome a um lugar em Gresufes, próximo de Vila Nova e Vila Pouca, o Outeiro do Painho, no extremo sudeste da freguesia, e ainda um quarto, associado à mamoa de entre Gestrins e Macieira, mencionado pelos Tombos da Comenda.
Ao contrário das mamoas, estes outeiros ficam no interior de Balasar.
Os arqueólogos nunca efectuaram prospecções nesta freguesia; é possível que haja alguma razão para isso, mas não é tão clara que os tenha mobilizado. Mas foi efectuada prospecção em Penices. Ora este castro foi sem dúvida relevante para Gresufes e ao menos para Escariz, em Balasar: os achados civilizacionais lá encontrados recordam gente que palmilhou as vizinhanças. Em boa parte à memória dele se deverá a criação da paróquia de Gresufes.
É curioso que uma antiga freguesia vizinha de Penices, e portanto vizinha também de Gresufes, se chamasse S. Veríssimo de Pedrafita. Pedrafita ou Perafita são nomes de origem latina para menir. Ora nós inclinamo-nos a considerar perafita a Pedra Negra, o marco que divide ao mesmo tempo Balasar de Rates e Arcos e que, em 1258, foi tomado como o ponto departida para a delimitação do reguengo de Agistrim. Outro marco do mesmo reguengo era a Pedra Curveira. Como era ao pé dela que os homens de Gestrins tratavam com os de Macieira os assuntos relativos ao reguengo, parece que eles lhe reconheciam alguma aura de respeitabilidade, isto é, que o reconheciam também como muito antigo.
É comum encontrar na área das paróquias medievais várias vilas rústicas. Há uma cantiga de amigo que identifica essas vilas simplesmente com casas, mas não eram certamente umas casas quaisquer, mas casas abastadas:

Vou-me a la bailia
Que fazem em vila
Do amor.

Vou-me a la bailada
Que fazem em casa
Do amor.

As Inquirições só identificam uma vila em Balasar, a Vila do Casal, mas a toponímia dá conhecimento de mais duas, Vila Pouca e Vila Nova. A razão por que estas não são mencionadas é sem dúvida por os funcionários régios não verem nenhuma necessidade de se ocupar com Gresufes (a que estas vilas pertenceriam). Conhece-se um documento que assinala ainda uma quarta vila, quando fala da Agra de Vila, não longe da Quinta.
Estas vilas não podem ser confundidas com os latifúndios que foram as vilas romanas: eram vilas góticas.
E é isto que pudemos recolher sobre o espaço que um dia havia de ser Balasar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vim ao teu coração buscar alegria


A Sua divina voz fez-se ouvir: Ele falou em meu coração:
- Anjo bendito, obedece à voz do teu Senhor: levanta a minha vítima inocente, livra-a das garras de Satanás!
Nestes momentos, eu estava sobre uns abismos medonhos traçados a sangue. Fiquei de repente nas minhas almofadas, já de mãos soltas e libertada do demónio. Não sei dizer a dor que sentia: desfazia-me o coração. Que pena eu tinha de Jesus! Que receio de O ter ofendido! Não fiquei assim por muito tempo: voltou Jesus a falar-me:
- Não te entristeças, minha filha, tu não pecaste. Não queres dar-Me consolação? Não queres dar-Me reparação? Necessito tanto dela nesta hora!...
Olha, vim ao teu coração buscar alegria, vim ao teu coração buscar amor, consolação e a reparação que desejo. Alegra-te, confia, em ti encontro tudo! Não queres alegrar-Me? Alegra-te comigo!
- Bem sabeis, meu Jesus, que tudo Vos quero dar, que só quero viver para Vós e para as almas. Mas sabeis também que a minha tristeza, a minha dor é o receio de ter pecado. Não posso viver sem Vós!
- Não pecas, filhinha, não te deixo pecar; não vives sem Mim.
Olha, queres saber porque ontem não te falei?
Olha, dei-Me a ti com mais amor, com mais intimidade do que se comungasses, e não te falei para mais de ti receber.
Por não te falar, foi que te tirei o medo e o receio de falares comigo e pus em ti as ânsias, os desejos de Me ouvires e de mais te unires a Mim.
Procedi assim, primeiro, para aclarar mais e melhor a tua vida, para dar mais luz àqueles que não querem ver. Quero que eles vejam, que eles conheçam como Me comunico a ti, como é a minha vida em ti. Em segundo lugar, para saciar mais a minha sede em ti e tu a tua em Mim.
Tu és a fonte pura, és fonte de água cristalina.
Vem o Rei beber à fonte da sua rainha, e a rainha sacia a sua sede no seu Rei.
Vem o Esposo matar as suas ânsias divinas na sua esposa amada, na esposa sem igual.
Vem o jardineiro ao seu jardim, ao jardim que aos pecadores pertence.
Venham eles a ele colher as flores angélicas.
Venham eles a ele abrilhantarem-se, venham eles a ele perfumarem-se: são aromas celestes, são aromas divinos.
Sentimentos da Alma, 5/2/1945

sábado, 17 de novembro de 2012

Profissão solene no Recife


A notícia duma profissão solene no Recife aparentemente não faz aqui grande sentido, mas faz algum se soubermos que o P.e Mariano Pinho faleceu nesta cidade, que esteve alguma vez no mosteiro carmelita onde vai decorrer o acto e que ao menos uma das irmãs que vai professar é entusiasta da nossa Beata. Nesta cerimónia, fazem hoje votos solenes três jovens: as irmãs Maria Bernadete da Imaculada Conceição, Maria Faustina da Divina Misericórdia e Maria Cecília do Menino Jesus e da Santa Face. Pedem que rezemos por elas.
Lembramos que foram carmelitas santas tão importantes como Santa Teresa de Ávila ou Santa Teresinha de Lisieux e que esta teve um lugar especial na caminhada da Beata Alexandrina.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pagelas 11

Uma pagela inglesa


Criação de Kevin Rowles, é um desdobrável em três colunas onde uma extensa notícia biográfica ocupa a maior parte do espaço. Contém ainda a oração da novena e endereços para aquisição de Living miracle of the Eucharist e outras informações sobre a Beata Alexandrina. Como ilustrações, traz uma fotografia da mesma Beata e ainda a capa da edição americana do opúsculo.

As pagelas de que aqui temos dado notícia são a nosso ver as principais, embora possuamos outras que nos parece que não justificam referência.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Peregrinação americana da Comunidade dos Dois Corações a Balasar

Estivemos hoje em Balasar, a convite de Leo Madigan, com um grupo de peregrinos americanos de um recente instituto católico ligado aos Dois Corações: 
http://claretianpublications.com/index.php/religious-men/68-smith-secular-male-institute-of-the-two-hearts-of-jesus-and-mary

http://non-profit-organizations.findthebest.com/l/771464/Secular-Institute-of-The-Two-Hearts-Inc.
Trata-se no geral de gente muito jovem de procedências diversas, particularmente do Extremo Oriente.
Veja aqui um quadro com o retrato do fundador (a quem oferecemos um exemplar de Quei due Cuori), P.e Edgardo Arellano, OATH. Ele é autor de várias obras.
Sobre este padre, a quem chamam Fr Bing, veja também aqui.
Leia também aqui (em inglês) ou ouça ainda aqui.
Como é sabido, Jesus pediu à nossa Beata que divulgasse a devoção dos Dois Corações.

Pagelas 10


Uma pagela publicada recentemente em Balasar

É um desdobrável em três colunas, frente e verso, abundantemente ilustrado e com uma informação variada, onde não falta uma pequena biografia da Beata Alexandrina, informação sobre alguns aspectos da sua mensagem e sobre os lugares merecedores de visita, um mapa do centro de Balasar, o horário das Missas e endereços para contactos.
Além disso, foi feita também edição em inglês.
Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.




domingo, 11 de novembro de 2012

Pagelas 9

Pagela da Comunidade Servir


A Comunidade Servir, do Rio de Janeiro, com que em tempos tivemos frequente contacto, enviou-nos um dia uma pagela. É um pequeno desdobrável, com duas "folhas", e contém uma breve biografia da Beata Alexandrina e a oração para a Novena. Como ilustração, usa a pintura da Beatificação.
De notar que no site desta comunidade, nos Baluartes, há um espaço dedicado à nossa Beata.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Curiosidade histórica

Casou-se para Balasar quando já era comendador. O seu nome de baptismo era Luís Joaquim de Oliveira, mas chamavam-lhe Cirurgião da Bicha. Uma vez foi a Lisboa curar a rainha D. Maria II. Camilo troçou dele de modo desumano. Veja aqui quem foi este homem.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ainda a nova página


Está quase concluída a nova página de que já aqui falámos. Ela permite aprofundar o conhecimento do contexto concreto em que a Beata nasceu e viveu os primeiros e talvez os mais serenos anos da sua vida. Estão lá nomes de pessoas que então foram importantes, como Manuel Joaquim de Almeida, nomes de homens recentes e que também marcaram a história da terra, como Manuel da Costa Boucinhas, pormenores sobre a construção da Igreja Paroquial, que exigiu um enorme esforço económico à freguesia, etc. Desses anos lembra ela vários episódios na Autobiografia e neles se inclui a sua ida para a Póvoa, o início da sua actividade de catequista e de cantora, o tempo em que trabalhou fora de casa.
No texto em que falámos da família de D. Maria Ana, tivemos de fazer uma anotação sobre aquela fotografia em se vêem várias senhoras, depois de insistirem connosco que havia erro na identificação das pessoas fotografadas. Mas não estamos inteiramente convencido. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Nova página

Estamos a colocar em linha uma página da história de Balasar relativa aos anos que vão de 1900 a 1915, correspondentes ao tempo que precedeu o nascimento da Beata Alexandrina e ao da sua infância. Foi um momento particularmente activo: demoliu-se a antiga igreja, construiu-se a nova, fez-se o cemitério, a antiga ponte de D. Benta em madeira foi substituída por uma nova em pedra, lutou-se contra os desmandos republicanos, etc.
A parte principal já lá está, mas faltam ainda alguns textos, que nem sequer têm por ora redacção definitiva.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pagelas 8

A pagela da Pastorinha

Esta é uma pagela cheia de poesia. Poesia que está no Cântico de Amor, que é o Hino aos Sacrários, que está la legenda da ilustração – A Pastorinha que leva ao Coração de Jesus – e que está na própria ilustração.

Será esta a ilustração mais criativa que a D. Eugénia conseguiu? Já vimos outras igualmente criativas. Esta tem a particularidade de estar assinada.
Reparar na assinatura do Cântico de Amor. Esta pagela teve edição portuguea.

domingo, 4 de novembro de 2012

Pagelas 7

A pagela dos Jorros Incandescentes

Como a última pagela que aqui colocámos era a de Solo per Amore!, “Só por Amor”, esta é a dos Zampilli Incandescenti, “Jorros Incandescentes”.
Na ilustração, a Alexandrina está na atitude de mestra que Jesus repetidamente lhe atribuiu; mas limita-se a reflectir para a humanidade os jorros de luz que lhe vêm de Jesus. Na ilustração, estes correspondem às línguas de fogo do Pentecostes.
A pagela usa uma única cor, ao contrário da capa colorida do livro; isso dificulta a identificação e consequente significado dos jorros.

Oração da pagela:

Ó Trindade Santíssima,
torna-me sempre atento(a)
à tua inabitação
para que nunca diminua em mim
aquele ímpeto de amor
que a Beata Alexandrina tinha
ao transmitir os jorros
que recebia de Ti.
Peço-Te humildemente a graça…
mas submeto-me à tua divina vontade.

sábado, 3 de novembro de 2012

Pagelas 6

Uma em duas

Neste caso, as línguas são duas (italiano e espanhol) e o colorido usado é diferente. Mas é a mesma pagela em duas versões ligeiramente distintas, publicada com o livro da D. Eugénia  Solo per Amore!
Desdobrável em três “folhas”, depois da página principal belamente ilustrada, abordam-se os temas do “Preciosíssimo Sangue e a Alexandrina”, do “Preciosíssimo Sangue e a humanidade”, “Quem é a Alexandrina?” e conclui-se com uma inspirada oração que traduzimos abaixo.
Inspirada é também a ilustração (clique sobre ela para a ver em tamanho maior), a mesma da capa de Solo Per Amore! O pintor partiu duma fotografia da Alexandrina em êxtase e reduziu-lhe a idade para a infância. E é esta inocente Alexandrina que quer recolher todo o Sangue derramado pelo Redentor para com ele salvar a humanidade.
Quando surgirão em Portugal e Brasil pintores com esta inspiração?

Ó Jesus, meu Sumo Bem,
Amor encarnado,
eis-me aqui inclinado(a),
todo(a) vibrante de reconhecimento
a Ti que fizeste da Alexandrina
uma centelha puríssima do teu amor.
Em virtude do teu Preciosíssimo Sangue,
peço-Te que me ajudes a imitá-la
no seu amor ardente à Eucaristia,
no seu devoto afecto filial à Mãezinha,
na sua loucura de amor pelas almas,
no seu espírito de oração intensa,
no seu abando o cego à tua vontade.
Assim saberei eu também consumir-me
num forte anseio de entrega
a Ti e ao próximo.
Peço-Te também:
concede-me, por sua intercessão,
a graça… que tanto desejo.
Mas seja sempre feita a tua vontade!
Tem piedade de todos nós, pobres pecadores!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma reportagem do Porto e do Minho do tempo em que a Beata Alexandrina era criança

Paga a penas ver: a reportagem fala sobretudo do Porto, mas é sempre o Portugal do tempo da infância da nossa Beata. Clique aqui.

Pagelas 5


Duas pagelas parecidas

Os Cooperadores Salesianos publicaram recentemente uma pagela sobre a Beata Alexandrina: já existe pelo menos em italiano e em inglês, mas a ideia é de a publicar em mais línguas.
A pagela é contudo a actualização duma anterior. Na frente mudou a fotografia e a classificação oficial, digamos assim: na primeira, de 1997, a Alexandrina era Venerável, na mais recente é Beata.
O resto do texto contém os “pedidos e promessas”, com a devoção das primeiras quintas-feiras e a oração da comunhão espiritual; uma biografia, agora mais desenvolvida; e uma oração a pedir a canonização, com redacção diferente da que pedia a beatificação.
As semelhanças são grandes, as diferenças de pormenor.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Balasar a Rates


Há alguns meses fizemos umas leituras sobre a Igreja românica de S. Pedro de Rates que nos impressionaram, sobretudo o que se refere ao tímpano do portal principal desta igreja.

Às vezes parece que há a ideia de que na Idade Média as pessoas eram todas cristãos praticantes e exemplares. Mas o nosso rei D. Afonso Henriques teve vários filhos fora do casamento, D. Sancho I a mesma coisa, D. Afonso III foi muito pior, D. Dinis foi também muito fraco marido. Se abrirmos o chamado Cancioneiro da Biblioteca Nacional, que é um livro muito grande e com poesia dos séculos XII, XIII e XIV, por cada cantiga decente que lá se encontra deve haver meia dúzia delas obscenas, ou mais. Nas Inquirições há comuns informações de roubos e às vezes de assassínios.
De facto, chegou-nos muita notícia de maldades que então se cometiam.
Ora o tímpano da Igreja de S. Pedro de Rates, que datará de cerca de 1220, parece um programa de ataque a este estado de coisas.
Ao centro, vê-se Cristo em Majestade ou o Pantocrátor, Cristo vencedor, ladeado pelos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, o primeiro papa e o primeiro grande propagador do Cristianismo. Sob os pés de Cristo e dos apóstolos jazem dois homens, que os entendidos identificam como Ario e Judas. Ario foi um heresiarca e a sua heresia vigorou algum tempo na Península, sob os suevos. Judas representa o judaísmo, que pode ter tido relevância no período visigótico.
Ora, segundo os mesmos especialistas da história da arte, a imagem de Cristo em majestade apresentá-lo-á de acordo com estas palavras de um salmo: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita enquanto eu ponho os teus inimigos sob o escabelo dos teus pés”. Deus Pai promete a Cristo colocar-lhe os inimigos sob os pés, isto é, derrotá-los.
A mensagem é clara, a vitória de Cristo no passado sobre Ario e Judas garante a sua vitória no presente e no futuro.
Em capitéis do mesmo portal, representa-se o Tetramorfo, isto é, os símbolos dos Evangelistas, o que indica que essa vitória passa pelo Evangelho, pela sua divulgação.
Não está aqui, ao menos directamente, uma mensagem guerreira, de luta pelas armas contra os mouros, embora possa incluí-la, mas é antes uma mensagem para dentro das comunidades cristãs, para irem às fontes genuínas.
No tímpano da chamada porta sul, representa-se o Agnus Dei, o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”, do Evangelho de S. João, e o mesmo Cordeiro do Apocalipse, em cujo sangue os redimidos lavaram as suas vestes. E também aí terá estado representado o Tetramorfo.
Este segundo tímpano continua a mensagem do da porta principal, a do regresso ao Evangelho.
Sabemos que, apesar desta espécie de manifesto de luta, ali em Rates se desenvolveu a lenda de S. Pedro de Rates, a que andou associada a de S. Félix. E a lenda de S. Pedro de Rates teve um apêndice em Balasar. Em Bagunte, parece ser sobre uma lenda que se criou a ermida da Senhora das Neves, em S. Clara de Vila do Conde houve a Lenda da Berengária e outras.
É mais difícil estar com os Evangelhos, de um tempo e uma cultura distantes, do que com uma piedosa lenda do nosso lugar.
Esta mensagem, em imagens tão toscas, trazida pelos monges franceses de Cluny, é surpreendentemente actual, convidando os cristãos a seguir o caminho da verdade evangélica, na certeza de que a vitória os espera.
Muito curioso é tudo isto.
Ouçam-se estas palavras de um crítico de arte sobre o tímpano que serviu de ponto de partida para esta reflexão:
Talvez o mais interessante dos tímpanos portugueses seja o de S. Pedro de Rates, mosteiro de refundação beneditina do séc. XII que teve uma importância primordial na difusão artística da Ordem no Norte de Portugal, bem como um papel decisivo na “normalização” teológica e litúrgica empreendida pelos Beneditinos cluniacenses no novo reino peninsular, facto que ajuda a explicar o tema do tímpano do seu portal principal.
Jorge Rodrigues, História da Arte Portuguesa, direcção de Paulo Pereira, vol. I, páginas 268-269.
A Alexandrina conheceu certamente a Igreja de S. Pedro de Rates (Rates confronta com Balasar), que foi restaurada em finais dos anos de 1930, em tempo dela portanto, quando a paroquiava o P.e Arnaldo Moreira, que era bom músico e que ensaiou frequentemente o coro de Balasar.
Algumas vezes o órgão de Rates foi trazido por uma mulher, à cabeça, para tocar em Balasar.
Em fins de Outubro ou começos de Novembro de 1938, Salazar foi a Rates ver as obras do restauro.

Imagens a partir de cima: Igreja românica de S. Pedro de Rates, tímpano do portal principal da mesma e tímpano do portal sul.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pagelas 4


Uma pagela poliglota

Esta é uma das pagelas mais antigas: com o mesmo texto, embora com alguma variação na imagem, foi editada quando a Alexandrina era ainda Serva de Deus, depois quando já era Venerável e por fim já Beata.
O primeiro Nihil obstat tem a assinatura de Molho de Faria e data de 1965, de quando o P.e Humberto já preparava o Processo Informativo Diocesano. Foi sem dúvida este que a preparou e conseguiu as traduções para italiano, espanhol, francês, inglês e alemão.
Houve tempo em que era disponibilizada com uma pequena relíquia.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Pagelas 3


Na Beatificação

Esta pagela, desdobrável, em três colunas, do Secretariado da Beatificação, é bastante cuidada, contém com muita informação e três ilustrações. Mas é negativo que nenhuma das duas fotografias da agora beata a mostre na cama e que ela seja chamada Alexandrina de Balasar.
Coloca-se a seguir um texto do antigo abade de Singeverga, D. Gabriel de Sousa, que frequentou a casa da Alexandrina. Dispusemo-lo em verso, como tínhamos feito para a pagela:

Uma flor que não seca

Às vezes, de visita a lugares célebres,
trago entre as folhas do canhenho
a pétala duma flor;
ela seca, perde o aroma,
e só fica a valorizá-la a data que se lhe inscreve.
Fui a Balasar um dia. Voltei uma segunda vez.
E também trouxe de lá,
entre as folhas do Livro de Horas de minha pobre vida,
uma pétala de lembrança.
Mas essa ainda não murchou,
ainda não perdeu o aroma:
a visão duma alma angelical,
através duns olhos de pureza,
como nesta derrancada terra se não encontram.
E, do Calvá­rio da Alexandrina Costa,
foi esta a dolorosa e ima­culada lembrança
que me ficou.

D. Gabriel de Sousa, abade de Singeverga

Clique sobre as imagens para as ver em tamanho maior.

domingo, 28 de outubro de 2012

Pagelas 2

Associação pela Conversão dos Pecadores

A pagela ao fundo, desdobrável em três e com destacável, tem aprovação de 1974, depois do fim do Processo Informativo; deve ter sido criação do P.e Humberto, que naquele ano fez uma comunicação ao II Congresso Eucarístico de Braga sobre "A Alexandrina e a Reparação". Além disso, este exemplar concreto remete para uma associação italiana.
A conversão dos pecadores era um dos temas primeiros da Alexandrina: tudo pelo amor de Deus e pela salvação das almas.
Pena foi que a associação proposta não vingasse.

Clique sobre as imagens para as aumentar.